
O projeto de San Lorenzo começou como uma tentativa imobiliária de conter o vandalismo de cinquenta crianças pobres e sem modos. O que os proprietários dos cortiços não esperavam é que a transformação daquelas crianças reconstruiria a alma de toda a comunidade.
À medida que os pequenos passavam o dia no “ambiente preparado”, limpando suas próprias salas, cuidando de plantas e concentrados nos materiais de madeira, algo extraordinário aconteceu: a agressividade deu lugar à graça e à cortesia. As crianças começaram a exigir que seus pais lavassem as mãos antes das refeições. Elas levavam para os lares miseráveis o hábito do silêncio, do respeito ao espaço do outro e do zelo pelas coisas.
Os pais, operários rústicos e marginalizados, começaram a chorar ao ver seus filhos de quatro anos lendo e escrevendo espontaneamente na calçada. O orgulho transformou o bairro. Os moradores pararam de depredar os prédios; as famílias começaram a cuidar das fachadas e a respeitar os espaços comuns. San Lorenzo deixou de ser sinônimo de violência para se tornar o epicentro de uma revolução educacional que correu o mundo. A dignidade da criança havia curado a comunidade.

